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“Histórias Reais de Uma Vida”
1 Janeiro, 2007 12:00 amDESABAFO: Aconteceu em um determinado momento de 2007
De certo quem entenderia, e porque se preocupariam com detalhes!
E tão mais fácil rotular, tachar, condenar, deixar pra lá.
“Tenho tantos problemas a me preocupar, porque devo perder tempo né mesmo”.
“Quem tem seus problemas que os resolva, que os solucionem, não foi eu que os criei”.
“Só olho pra frente, de que me interessa o que passou, quem vive de passado é museu”.
“Nossa porque essa pessoa não se toca, ta sempre reclamando, lamentando”.
E por ai vão as dezenas, centenas de evasivas, de reticências, conseqüência (ou não) da falta de sensibilidade que o progresso traz em sua louca e desvairada correria, que escraviza e sufoca as pessoas em todos os níveis sociais. E o mais intrigante, é que não se pode simplesmente culpar essa ou aquela pessoa por agir de uma forma tão simplista, tão superficial, tão discriminatória com seu semelhante seja ou esteja ele perto ou longe, dentro ou fora do seu circulo de amizade.
Não cabe julgar, condenar ou discriminar, pois se assim agirmos, estaremos fazendo exatamente igual, entrando no mesmo circulo inicial, que tal qual a um redemoinho arrasa tudo ao seu redor.
Então o que fazer como agir, à quem recorrer, como gritar sem agredir pra não calar?
Vejo ai que ate mesmo quando busco, encontro motivos pra novas buscas, uma coisa sempre acaba levando a outra, tornando tudo novamente um circulo infindável.
Sinto-me sufocado, aprisionado em uma bolha invisível, a volta da totalidade dos que me rodeiam. Sinto um nó na garganta que bloqueia as palavras fazendo com que os pensamentos retardem, e estanquem as iniciativas.
Vejo-me assim levando a uma superficialidade em meu comportamento, buscando pra mim mesmo escapes que me distraiam, que me levem a não pensar, a não raciocinar, a não retornar ao inicio anterior.
Socorro… Sinto-me aprisionado, e prisioneiro de mim mesmo, vê-me sem saída, sem suporte, sufocado ainda que respirando em um campo pulmonar de arvores floridas. Olho para toda a beleza a minha volta, e só consigo sentir uma profunda tristeza em virtude do nada realizado e da falta de perspectiva de um dia realizar. Em silêncio e de cabeça baixa, estendo a minha não ao mais longe que ela possa chegar, e ela sempre me retorna vazia, fria e meio desfalecida… Levanto a cabeça, e deito o meu tímido olha a frente, e apesar de todo movimento em volta, um silêncio interior afasta-me de qualquer reação positiva. O coração se descompassa, o ar fica rarefeito, e um grito se desprende bem do fundo, mas não chega a lugar nenhum, é silenciado pos não existe eco, não a onde resvalar, não tem aonde chegar… E assim ele retorna mais mortal ainda de quando saiu em busca do socorro, que não veio e que não vira, pois ninguém ta nem ai, e nem ai, eu também.
Não posso cobrar de ninguém aquilo que não consigo oferecer, não posso pedir aquilo que não posso dar, e não se pode comprar o que não existe disponível pra vender. Então o que faço com esse nó na garganta, o que faço com essa lagrima que teima em rolar inadvertidamente, o que faço com esse grito que não quer calar, mas que também não quer sair, o que eu faço com esse olhar que nada atinge, com essa fome que não passa, com essa angustia que não cessa. Onde eu coloco a vida que existe em mim, como faço pra transformar os sonhos mais simples em alguma coisa que faça sentido, se água que eu bebo não mata a sede, a comida que eu como não mata a fome, as coisas que eu falo não fazem sentido, se quando olho em frente não vejo horizonte. A luz do sol produz calor, mas não gera em mim energia, a lua chega com a noite, mas seus raios não me trazem mansidão nem um renovar de esperanças, e assim o sono me absorve vencendo-me pelo cansaço, mas quando pela manha acordo, ainda sinto-me exausto, e quando percebo que todo aquele ciclo vai se cumprir novamente, sinto uma vontade imensa de volta a fechar os olhos em busca de novas possibilidades que sei bem, não viram pois não estão lá.
Sinto-me tão cansado, sem forças, sinto que as esperanças não se renovam, pois a cada degrau ultrapassado, dois novos são acrescentados no sentido contrário, e o topo a cada dia fica mais e mais distante inatingível.
Não sinto força nem animo para gritar, para chamar, estou completamente abatido, perdido dentro de mim mesmo, dentro do que criei ou do que criaram para mim.
A cada dia que passa, esta ficando mais e mais difícil expressar as idéias, as vontades, os desejos, comunicar-me com o mundo exterior, principalmente com as pessoas mais próximas, pois dessas não se tem como disfarçar com superficialidades.
Não encontro eco, abertura, cumplicidade ou não estou sabendo buscar da forma correta. Quando falo o que sinto, deparo-me com espantos, interrogações, impaciências, fica parecendo conversa de Alemão com Grego. Por longos anos busquei refugio em mim mesmo, e aparentemente parecia bastar… Lerdo engano o meu, quanto mais refugio buscava, mais e mais me afastava dos meus em um processo letal e imperceptível para mim. E assim barreiras foram erguidas e hoje elas me parecem instransponíveis inabaláveis.
Olho buscando saídas, frestas, brechas e a única coisa que vejo é um infinito de impossibilidades e de distâncias vazias e opacas.
Que mundo é esse meu Deus, que vida é essa! Vivo uma liberdade efêmera. Preso eternamente em mim mesmo, como num elo macabro de sombras e solidão, de formas indefinidas e de esperanças vãs.
Meus planos e sonhos nunca chegam a durar dois verões sem que se diluam e se desfaçam como nuvens ao vento. Estou cansado de recomeçar a cada inverno, sem perspectivas de ver o próximo chegar mantendo aquele mesmo sorriso de antes, ainda vivo. Estou cansado de não conseguir falar, de não conseguir gritar, de não saber me fazer ouvir.
Tenho plena consciência que em tudo isso o único perdido sou eu. Só que não consigo mais ver, a diferença que existe entre desabafo, reclamação, lamentação, lamuria sopro de palavras que parece não fazer mais sentido algum pelo menos para mim. Sei que estou fugindo de tudo e de todos, mas não existem premeditações nem propósitos definidos, são apenas conseqüências de um processo formado não sei quando e nem como.
Que culpa tenho eu, que culpa os outros tem… Se não existem culpados nesse vale de lagrimas não derramadas, me mostre então onde fica a escada ou mesmo o corrimão no qual eu possa apoiar-me e de alguma forma apreciar um fio luz no fim desse escuro túnel que a mim parece invisível ou inexistente.
Qual é a verdade, onde esta a verdade disso tudo? Porque sempre tem que existir uma nuvem sombria que tal qual em desenhos animados, teima em sobrevoar-me, respingando suas agourentas gotas sobre a minha cabeça já tão perdida, tão envolta em nada, tão conturbada e sem respostas.
Não consigo mais pronunciar os verbos de forma conclusiva ou inteligível aos meus, tudo me soa apelativo e sem eco, vazio e sem propósito, distante e sem valor. Apenas deparo-me com uma avalanche de impossibilidades provavelmente criadas por mim mesmo, mas como remove-las, como demove-las, como não vê-las ou senti-las?
Sim… Estou confuso, atordoado, perdido, sem rumo ou prumo, sem culpas nem culpados.
Sim… Estou preso por engrenagens invisíveis de forma e tamanhos por mim desconhecidos.
Sim… Estou precisando do que não sei, disso, daquilo, de alguém, de alguma coisa, de algo…
Eu apenas sei que nesse momento… Não sei absolutamente nada.
Categories: Meus Momentos
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