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MOMENTOS MEUS

14 Janeiro, 2008 12:20 pm

UM PEDIDO NÃO PROFERIDO

6:59 am

Coração grita a dor que o impele, e por vezes chega às lágrimas,
Que lava a angustia latente, fruto do veneno humano.
O mesmo que vê e não reage, aquele que passa sem importar.

Em mim reside o silêncio das amarguras contidas,
Das esquinas não viradas, as ansiedades não choradas.
Coração banido, sufocado, perdido na eterna busca,

Vontades que invadem, e se perdem em labirintos.
Desejos nunca saciados, nem mesmo experimentados,
Viram pedras, que machucam, ralam, comprimem.

Perdas dos horizontes, das metas, dos focos,
Estragos marcados na pele, impressos na mente.
Ausência de presença, de sonhos, futuro.

Por onde andas que não deixas ao menos a lembrança,
Aquele olhar cujo brilho clareia o tão opaco presente.
Você que por mim passou de alguma forma em algum momento,

O que ficou em ti, além das criticas e julgamentos,
Além da certeza de estar certa, e da prática do esqueci.

Meu choro não é para ti, nem mesmo para mim,
Ele advém das práticas não praticadas,
Das vontades rejeitadas e contidas em pequenos prantos.
Das vontades sempre presas, retidas em seu desabrochar,

O que faço com tanto em mim, se não te tocas, não olhas.
Ah! Esses impulsos retidos a boca, não chegando a concretizar.
Preciso suportar a falta de você que me faria sorrir, cantar.

Preciso continuar praticando o silêncio em sua memória.
Você que sempre vem em um copo de vinho suave,
E nele se afoga e vai sem nunca chegar de fato.

Busco palavras que não existem.
Palavras que parecem sempre sem sentido.
Vazio amargo que apenas vem à garganta,
Não se envolve em salivas, nem caricias ou gestos pequenos.

Como vencer essa envolvente névoa congelada e cortante,
Se também sou coração, alma vibrante, com muita sede.
Se em mim repousa suas desculpas e desmotivações.

Não me faça culpado de suas culpas, pois já tenho as minhas.
Tiras de mim os venenos que são seus, pois a dose única que tenho me basta,
Não me faça continuar usando-o, e morrendo pouco a pouco quando lembro.

Sou apenas retalhos, jamais emendados, nunca formando um.
Sou pedaços de vocês, que passaram, marcaram, se foram.
Sou o que sou a espera de ser aquilo que nunca fui.
Mas serei… Pois continuo a te buscar, nas esquinas, na vida, em um olhar!
“Autor: João_Farias”

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