Estamos presos em uma sociedade que cobra, mais não oferece

28 Maio, 2009 6:48 pm

Um eterno círculo vicioso, crescente e  sem volta

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Acredito que em sua maioria, a humanidade segue em frente sem perceber, ou querer admitir o caminho sem volta que está criando para si própria. São tantas as fronteira perigosamente quebradas e abismos já atingidos. Seguimos numa marcha frenética, sem a menor possibilidade de retorno. Talvez, quem sabe, ao seu final possa existir alguma luz no final desse túnel interminável. Embora, por vezes, me veja tomado por um sentimento de absoluta incapacidade, sinto-me na obrigação de dizer alguma coisa que me faça partilhar essa terrível “duvida-verdade” com mais alguém, e que o eco das palavras as reflita de volta.
São tantos os caminhos errados, tomados pela humanidade, pela sociedade. Caminhos que vem não se sabem de onde, e que em sua totalidade levam a lugar nenhum. A busca por um futuro melhor, nos levam a criar outro muito pior, e o que é ainda mais grave, não conseguimos admitir o equivoco. E agindo assim, sem nenhuma lógica racional, afundamos cada vez mais em nossas próprias armadilhas naturais e mentais.
Acreditamos e buscamos fiel e cegamente um progresso, que dia após dia nos escraviza, nos distância mais e mais uns dos outros, criando uma individualidade crescente. Já não existe mais tempo para o básico, para o fundamental, precisamos produzir sempre, cada vez mais, muito além do que outrora era mais que o suficiente.
Não podemos ter folgas, precisamos eliminas urgentemente todos os feriados, acabar com as tradições já que são pura perda de tempo, não é possível usufruir daquilo que produzimos, por total falta de tempo, condições e animo. Família, filhos, amigos, para o progresso capitalista e global tudo é secundário e supérfluo, a não ser, a produtividade e o lucro a todo custo e a qualquer preço.
Fatores sociais fundamentais para a construção sólida da família, ao longo dos anos, foram e são continuamente relegados a plano secundários, sem prioridade alguma. E a conseqüência disso é hoje visível a quem interessa ver, ouvir e sentir.
Criamos uma geração sem valores, sem referências, sem rédeas e princípios, e, a parte dela que não está voltada cegamente para a produção, e a competição  desenfreada, está perdida no mundo das drogas lícitas e ilícitas, agregadas ao crime organizado em suas diversas ramificações “seja colarinho branco ou preto”, perdidas em ambulatórios psiquiatricos de toda sorte, lutando solitariamente em busca de algo que as identifique como parte de um todo, e não apenas como peças descartáveis de um sistema cruel, alienante, caótico, e totalmente fadado ao fracasso.
Por total falta de tempo e prioridades, pais terceirizam a educação de seus filhos, e se julgam isentos de culpas e conseqüências, a final, estão dando a sua fundamental parte de contribuição para o engrandecimento da nação. Só que, essa grande nação não vai perdoar seus filhos “órfãos do acaso”, pelo tempo roubado deles, quando se tornarem vitimas e refém da mesma.
Filhos perdidos, sem a mínima referência materna e paterna (familiar), desprovido de todos e quaisquer valores básicos, são a herança maldita que já nos assola, e, é apenas o que temos para um futuro a médio e longo prazo.
Não existe esperança e nem volta para essa situação de coisas instaladas de forma definitiva em nosso mundo irremediavelmente globalizado e insensível.
São as mulheres que ocupam cada vez mais lugares antes dos homens, e homens que ocupam lugares tradicionalmente de mulheres, tudo em nome de uma evolução de aparente sucesso e harmonia, de uma liberdade incutida em suas mentes por quem “interessar possa”.
Acreditamos real e firmemente que estamos certos, então, para que olhar para traz, para o rastro de destruição que fica, para que rever conseqüências. Tudo é possível, tudo é permitido, e para o que não é, damos um jeitinho, brasileiro ou não.
Frases como: “O que importa é a qualidade e não a quantidade” é responsável pelo abandono sistemático de toda uma geração. E pasmem, até mesmo estudiosos e psicólogos já a usam como auto-justificativas, quando procurados por pessoas tocadas por essa realidade cruel, já em desespero, na busca de um último alento. Isso quando podem ou tem condições.
É triste ver a alienação sistemática a qual todos são submetidos em nome de um progresso daninho, prejudicial em todos os níveis. Progresso esse, que leva a uma disputa injusta, da qual todos pensam está ganhando ou levando vantagens.
Tolos, não percebem que por ele, estão na realidade sendo tragados, deformados, ao ponto do próprio DNA ser alterado, numa mutação lenta e silenciosa ao longo do último século.
Não falo em tom critico ou direcionado, pois não vejo como mudarmos o rumo que as coisas tomaram, mas de alerta, para que possamos todos juntos, tentarmos amenizar os frutos negativos de tudo aquilo que produzimos como benéfico e positivo. O que não o é!
Enquanto festejamos conquistas e avanço pessoais ou da humanidade, não conseguimos ver com clareza, o rastro nefasto deixado por todo esse avanço comemorado. É certo que tudo na vida tem um preço, mais é certo também que existem preços que não podem ser pagos. Seria como comprar hoje um relógio por R$ 100 e vende-lo 24 horas depois por R$ 10. Não se avança andando para trás, na macha-ré, a mente até pode achar que sim, mas na prática o resultado será a falência do empreendedor, no caso a sociedade irremediavelmente globalizada.
Temos o terrível hábito de avaliar o resultado de nossas ações, por um período inferior a uma geração, ou seja, pensamos apenas e exclusivamente em nos mesmo, em nosso curto e exclusivo bem estar. Só que, o resultado do que plantamos na vida, só aparece depois da morte, deixamos então, esses frutos para nossos filhos e netos comerem, num claro e evidente descaso para com os nossos. Agora, admitir isso, nem pensar né?
Exemplificando isso, temos como modelo um belo espécime da família dos Ratitas, o avestruz. É só enfiar a cabeça na relva e esperar a morte chegar para nos livrarmos das culpas que não aceitamos ou admitimos, afinal, o que realmente importa é o hoje, o agora. JFarias

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